Mais de seis meses de greve e resistência

SOLIDARIEDADE COM OS GREVISTAS DA MERCADONA (BARCELONA),

EM GREVE HÁ MAIS DE SEIS MESES!

REINTEGRAÇÃO PLENA DOS 6 TRABALHADORES DESPEDIDOS!

(Se vais ou estás em Espanha não compres nos supermercados mercadona)

 

  A greve no centro logístico da Mercadona – cadeia espanhola de supermercados -, em Sant Sadurní d’Anoiateve (Barcelona), foi declarada como resposta ao despedimento de três trabalhadores da secção sindical da CNT-AIT (Confederação Nacional do Trabalho – organização anarco-sindicalista e secção espanhola da Associação Internacional dos Trabalhadores) na empresa, dado que estes sempre denunciaram as condições de trabalho e o ambiente repressivo em que se trabalha na Mercadona. A administração da empresa imaginou que, desta forma, dificultaria a acção sindical da CNT-AIT, sobretudo entre os trabalhadores imigrantes. De facto, desde que a administração da Mercadona foi informada pela CNT-AIT da criação da sua secção sindical, aumentou a perseguição e intimidação, por todos os meios, dos trabalhadores da empresa, em particular dos militantes da CNT-AIT. A greve foi convocada por 10 dias, tendo-se entretanto transformado em greve indefinida. Note-se que estes três despedimentos foram já considerados sem justa causa pelos tribunais de trabalho. Em 28 de Setembro, a Mercadona despediu mais dois trabalhadores, membros do Comité de Greve e da secção sindical da CNT-AIT e, em 10 de Outubro, novo despedimento de mais um grevista. As exigências dos trabalhadores da Mercadona são:

 

         Readmissão dos 6 trabalhadores despedidos;- Pagamento da meia hora de descanso, que deixou de contar para efeitos de contagem de tempo efectivo;

         Cumprimento das normas de segurança e higiene no trabalho;

         Fim das perseguições e intimidações dos trabalhadores;

         Reconhecimento da CNT-AIT, assim como dos seus delegados;

         Introdução de uma cláusula de garantia de trabalho (em caso de despedimento julgado sem justa causa, ser o trabalhador a decidir se regressa ou não ao seu posto de trabalho).

 

 A greve indefinida iniciou-se em 23 de Março, prosseguindo em condições muito duras, já que a Mercadona, rede de supermercados com lojas em toda a Espanha, trouxe fura-greves para substituir trabalhadores grevistas. De início, a Mercadona impediu a entrada do Comité de Greve nas instalações da empresa, porém acabou por ser forçada a deixar entrar o Comité de Greve acompanhado pela Inspecção do Trabalho. As autoridades locais e a polícia tentaram impedir a realização de manifestações dos trabalhadores grevistas. Como estas manobras não funcionaram, a Mercadona tentou comprar o despedimento dos trabalhadores a troco de 300 mil euros, o que estes prontamente recusaram.

 

 Em 18 de Setembro, após quase seis meses de greve total, os trabalhadores decidiram passar a greve parcial indefinida (24 horas de greve todas as quintas-feiras), conseguindo, com esta nova estratégia, que mais trabalhadores aderissem à greve.

 

 A CNT-AIT, com o apoio de organizações e indivíduos solidários do mundo inteiro, tem feito tudo o que é possível para apoiar a greve, nomeadamente para garantir que os trabalhadores e suas famílias não necessitem de passar fome para manter esta greve, que prevê que se possa prolongar ainda mais. A CNT-AIT apela à solidariedade internacionalista com os trabalhadores da Mercadona, através de contribuições para a Caixa de Resistência e através de actos de protesto e solidariedade junto das Embaixadas e Consulados espanhóis.

 

 Nº de conta bancária da Caixa de Resistência:

2100 (La Caixa) – 1183 – 35 – 0100505773

EUROPA: IBAN: ES08 2100 1183 3501 0050 5773

RESTO DO MUNDO: BIC (Swift): CAIXESBBXXX 2100 1183 3501 0050 5773

 

 Mensagens de solidariedade poderão ser enviadas para a Federação Local da CNT-AIT de Barcelona, para o seguinte endereço: sov@barcelona.cnt.es

 

 Da mesma forma, é importante enviar cartas de protesto contra a actuação da Mercadona e de apoio aos seus trabalhadores para:

 

 Mercadona, S.A.

CIF:A-46-103834

C/ Valencia, nº 5

Tavernes Blanques

VALENCIA – C.P.46016

ESPANHA

 

 (mais informação em: http://barcelona.cnt.es)

 

  ESPANCAMENTO BRUTAL DE UM MEMBRO DO COMITÉ DE GREVE DA MERCADONA

 

 J. C., militante da CNT-AIT e membro do Comité de Greve de Mercadona, foi abordado, em 28 de Setembro, cerca da meia-noite e perto da sua casa, por um grupo de cinco indivíduos que, após lhe terem dito “Então és grevista da Mercadona?” o espancaram cobardemente, aos gritos de “Isto é pela Mercadona”, até o abandonarem estendido no chão, sangrando e inconsciente. O nosso companheiro foi recolhido por uma ambulância, que se presume terá sido chamada por moradores da zona, e tratado, na Cruz Vermelha, a traumatismos cranianos, contusões na omoplata esquerda, na cara e ferimentos vários.

 

Apesar de todas as pressões a que os trabalhadores da Mercadona têm sido  sujeitos (tentativas de impedimento das suas manifestações em Barcelona, utilização de fura-greves para substituição dos trabalhadores grevistas, não reconhecimento da secção sindical da CNT-AIT na empresa nem do Comité de Greve, tentativa de compra dos grevistas por 300.000 euros, repetidos contactos individuais, quer com grevistas, quer com outros trabalhadores considerados indesejáveis, para as chamadas rescisões amigáveis de contrato, etc), a que se soma esta cobarde agressão do nosso companheiro, o ânimo de continuação da greve até à satisfação das reivindicações dos trabalhadores da Mercadona não se tem esmorecido, antes pelo contrário.

 

De facto, a CNT-AIT, organização sindical anarco-sindicalista, recusar-se-á sempre a trocar os direitos dos trabalhadores e a sua dignidade enquanto produtores e enquanto pessoas por quaisquer hipotéticas “vantagens”, pecuniárias ou outras, quer para os trabalhadores, quer para si própria. Fiel aos seus princípios de sempre, a CNT-AIT continuará a defender a prática da acção directa, isto é, sem quaisquer intermediários, entre os trabalhadores e aqueles que directamente os exploram e oprimem e, portanto, continuará a recusar a participação nas eleições para os comités de empresa e a participação na chamada concertação social, que mais não são do que meios de atrelar os trabalhadores e as suas organizações ao carro do Estado e do Capital.

 

SOLIDARIEDADE COM OS GREVISTAS DA MERCADONA!

 

SOLIDARIEDADE COM A CNT-AIT!
 
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