100 DIAS DE GREVE

SOLIDARIEDADE COM OS GREVISTAS DOS SUPERMERCADOS MERCADONA.

 

100 DIAS DE GREVE INDEFINIDA CONTRA AMEAÇAS, INTIMIDAÇÕES,  DESPEDIMENTOS E REPRESSÃO SINDICAL.

 

100 DIAS DE LUTA POR DIGNIDADE NO POSTO DE TRABALHO.

 

A greve no centro logístico da Mercadona, em Sant Sadurní d’Anoiateve (Barcelona), foi declarada como resposta ao despedimento de três trabalhadores da secção sindical da CNT-AIT (Confederação Nacional do Trabalho – Secção espanhola da AIT) na empresa, dado que estes sempre denunciaram as condições de trabalho e o ambiente repressivo em que se trabalha na Mercadona, cuja administração imaginou que, desta forma, dificultaria a acção sindical da CNT-AIT na empresa. De facto, desde que a administração da Mercadona foi informada pela CNT-AIT da criação da sua secção sindical, aumentou a perseguição e intimidação, por todos os meios, dos trabalhadores da empresa, em particular dos militantes da CNT-AIT. A greve foi convocada por 10 dias, tendo-se entretanto transformado em greve indefinida. As exigências dos trabalhadores da Mercadona são:

– Readmissão dos 3 trabalhadores despedidos.
– Pagamento da meia hora de descanso, que deixou de contar para efeitos de contagem de tempo efectivo.
– Cumprimento das normas de segurança e higiene no trabalho.
– Fim das perseguições e intimidações dos trabalhadores.
– Reconhecimento da CNT-AIT, assim como dos seus delegados.
– Introdução de uma cláusula de garantia de trabalho (em caso de despedimento julgado sem justa causa, ser o trabalhador a decidir se regressa ou não ao seu posto de trabalho).

A greve indefinida, que se iniciou em 23 de Março, prossegue em condições muito duras, já que a Mercadona, rede de supermercados com lojas em toda a Espanha, já trouxe fura-greves para substituir trabalhadores grevistas.

A CNT-AIT, que necessita, mensalmente, de 18.000 Euros para manter a greve, isto é, para garantir que os trabalhadores e suas famílias não necessitarão de passar fome para manter esta greve, que prevê que possa continuar por bastante mais tempo, apela à solidariedade internacionalista com os trabalhadores da Mercadona, tendo criado, desde o início da greve, uma Caixa de Resistência, para onde se pode contribuir, para o seguinte nº de conta bancária:

2100 (La Caixa) – 1183 – 35 – 0100505773
EUROPA: IBAN: ES08 2100 1183 3501 0050 5773
RESTO DO MUNDO: BIC (Swift): CAIXESBBXXX 2100 1183 3501 0050 5773

Mensagens de solidariedade poderão ser enviadas para a Federação Local da CNT-AIT de Barcelona, para o seguinte endereço: sov@barcelona.cnt.es
Da mesma forma, é importante enviar cartas de protesto contra a actuação da Mercadona e de apoio aos seus trabalhadores para:

Mercadona, S.A.
CIF:A-46-103834
C/ Valencia, nº 5
Tavernes Blanques
VALENCIA – C.P.46016
ESPANHA

 
APOIA A GREVE SE FORES ATÉ ESPANHA NÃO COMPRES NOS SUPERMERCADOS MERCADONA.
 
 
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As posições da FAI de Portugal sobre o anarco-sindicalismo

AS POSIÇÕES DA FAI DE PORTUGAL SOBRE O ANARCO-SINDICALISMO

 

Sobre a questão do anarco-sindicalismo, a FAI de P. Tem as seguintes posições:

 

a) O anarco-sindicalismo é unicamente um dos meios da realização da Revolução Social Anarquista. As organizações anarco-sindicalistas tornam possível uma ampla difusão, nos meios laborais, do ideário anarquista, tornam largas camadas de trabalhadores receptivas às concepções anarquistas, desempenham um papel indispensável na preparação, organização e autodefesa da greve geral activa ou revolucionária, e, através das suas federações locais de sindicatos revolucionários, desempenham um papel importante na edificação das comunas locais anarquistas.

 

Se bem que desempenhem uma função importante e indispensável, no domínio da execução das tarefas, destrutivas e construtivas, da Revolução Social Anarquista, as organizações anarco-sindicalistas não são prefigurações ou formas embrionárias da futura sociedade. Uma organização anarco-sindicalista deve transformar-se, no decurso da Revolução Social, numa união de sindicatos de trabalhadores anarquistas e, consequentemente, autodissolver-se no seio das comunas locais anarquistas.

 

b) Uma organização anarco-sindicalista é uma Confederação, constituída por federações de sindicatos LOCAIS de ramo de actividade (transportes, saúde, construção, etc). Ela é incompatível com os sindicatos nacionais de indústria, pois estes põem em causa o carácter anti-burocrático e federalista do sindicalismo inspirado nas ideias anarquistas. Estes sindicatos são inapropriados a uma acção revolucionária, cujo objectivo final é o comunismo das comunas anarquistas, locais e federadas. Eles correspondem a uma luta que visa a "autogestão" da economia capitalista, ou a instauração de uma espécie de capitalismo sindical.

 

Os sindicatos de categorias profissionais (sindicato dos médicos, dos pilotos da aviação, dos maquinistas, etc) são também incompatíveis com o anarco-sindicalismo. Eles põem claramente em causa o carácter anti-reformista e anti­-corporativo do sindicalismo baseado nas ideias anarquistas. Estes sindicatos têm sido um factor de desunião dos trabalhadores, um sério obstáculo à existência, no seio da classe trabalhadora, da solidariedade prática, que os anarquistas sempre defenderam.

 

Quer os sindicatos nacionais de indústria, quer os sindicatos profissionais, são, obviamente, incompatíveis com uma luta revolucionária, que, entre outras coisas, visa a descentralização das indústrias, pôr fim à divisão entre zonas industrializadas e zonas rurais, acabar com a divisão social entre trabalho manual e intelectual, em suma, transformar a economia capitalista numa economia integrada e ecológica, ou seja, numa economia determinada pelas necessidades dos vários indivíduos humanos, e não pela valorização do capital.

 

c) A organização anarco-sindicalista não é equiparável aos apêndices sindicais dos partidos políticos. A organização anarco-sindicalista baseia-se no federalismo libertário, o que implica necessariamente a autonomia dos trabalhadores e dos sindicatos que a constituem. Por esta razão e devido também ao seu carácter anti-autoritário, à sua própria natureza, a organização especificamente anarquista não possui quaisquer órgãos de intervenção no domínio da acção sindical, dentro ou fora das associações anarco-sindicalistas, nem coordena as práticas sindicais dos seus militantes. A organização especificamente anarquista não procura, sob qualquer forma que seja, instrumentalizar a organização anarco-sindicalista, o que não significa que uma federação anarquista, ou um grupo anarquista, não possa, enquanto tal, assumir uma atitude crítica, face à prática e ao funcionamento duma associação anarco-sindicalista, o que não significa que uma associação anarquista não deva lutar, por meio da propaganda, contra todas as atitudes e posições que, na sua opinião, põem em causa os aspectos distintivos do combate libertário, no domínio da luta sindical ou noutro domínio qualquer. A organização especificamente anarquista tem, para com as associações anarco-sindicalistas, uma atitude solidária e de cooperação, na base do livre acordo.

 

A conjugação de esforços, realizada pelos militantes anarquistas, no domínio da acção sindical, assenta nos pactos que elaboram, nas assembleias da organização especificamente anarquista, relativos à orientação geral do combate libertário, considerado na sua globalidade, e, sobretudo, no facto de cada um dos referidos militantes agir, por si próprio, no seio do seu sindicato e, eventualmente, nos órgãos federativos da sua organização sindical, coerentemente com os princípios anarquistas, nos quais se baseia a organização anarco-sindicalista.

 

O facto de os anarquistas não pretenderem, de acordo com os seus princípios, instrumentalizar as associações anarco-sindicalistas, não significa, de forma nenhuma, que não sejam solidários entre si, perante eventuais manobras concertadas de reformistas, no próprio seio da organização anarco-sindicalista. Se não o fossem, tornariam possível, ou facilitariam, a instrumentalização das associações anarco­-sindicalistas, para fins que não são os seus.

 

d) Algumas das posições que Malatesta defendeu, na discussão que teve com Monatte, sobre a questão do sindicalismo, estão desactualizadas. Num período em que vigora um totalitarismo democrático-mercantil, ou democrático­-capitalista, e em que, sobretudo, por esta razão, se assistiu à transformação dos sindicatos reformistas em autênticos órgãos da organização estatal e capitalista e numa expressão da hierarquia que se estabeleceu, no próprio seio da classe trabalhadora, o sindicalismo de carácter anarquista é o único que pode interessar aos trabalhadores mais explorados e discriminados, e a todos aqueles que almejam a destruição completa da sociedade autoritário-capitalista. Organizações sindicais, como a CGT espanhola e a SAC sueca, que, para abarcarem mais trabalhadores, decidem participar em eleições democráticas, por exemplo, para comités de empresa, de representação dos trabalhadores, ou melhor, de mediatização das lutas sindicais dos trabalhadores, pondo, assim, em causa a acção directa, o método de luta especificamente libertário, tendem a tornar-se, nas condições actuais, idênticas aos apêndices sindicais dos partidos políticos. Organizações sindicais destas não interessam, de forma nenhuma, aos anarquistas. Os anarquistas não podem manter-se indiferentes, perante o aparecimento de organizações sindicais, auto-denominadas libertárias, do género da CGT espanhola. Para eles, não são irrelevantes as diferenças que existem, por exemplo, entre a CNT -AIT e a CGT espanhola.