Autogestão

Solidariedade com os trabalhadores da Afonso.

É chamada de "patroa" pelos restantes operários da Afonso, Produção de Vestuário, Lda., unidade têxtil situada na Zona Industrial de Paçô, em Arcos de Valdevez. Mas recusa o epíteto. Segundo diz, é também uma trabalhadora. "Com outro tipo de responsabilidades", acrescenta.

De facto, Conceição Pinhão tem estado à frente das decisões da empresa, desde que os principais accionistas tentaram deslocalizar a produção para a República Checa, em finais de Novembro passado, mas sem resultado. Trabalhadores (na sua esmagadora maioria, mulheres), familiares e amigos travaram a retirada da matéria-prima da fábrica, impedindo mesmo um camião TIR, matriculado naquele país do Leste europeu, de entrar na unidade.

Desde então que as 91 operárias asseguram a produção, revezando-se numa vigília. Para que encontrem a fábrica na manhã seguinte como a deixaram na véspera. Aguardam, agora, por resposta à proposta feita com vista à aquisição da unidade pelo simbólico preço de um euro. A propósito, Conceição Pinhão indicou que o contacto com os accionistas, alemães, tem sido feito por fax. Segundo disse, foi assim que os donos da unidade reclamaram pela matéria-prima, a 1 de Dezembro passado, "ameaçando, mesmo, os operários com processos judiciais". Para a Alemanha, seguiu, também, a resposta dos operários às reivindicações dos accionistas, bem como a proposta para a compra da empresa, fundada em 1991, por outro empresário, também alemão. Quanto a respostas, nada.

Assegurando que a unidade tem "todas as condições" para continuar a funcionar, aquela responsável exemplificou com o facto de a fábrica ter ficado, "de um dia para o outro" sem clientes, fruto do abandono dos accionistas. "Agilizámos, de imediato, alguns contactos, que se traduziram em encomendas, encontrando-se actualmente a fábrica a produzir a todo o vapor", disse, indicando que, apesar do esforço, não foi ainda possível pagar o subsídio de Natal. "O problema, que continua a assustar alguns clientes, está na posse da empresa. Temem que a encomenda que possam vir a fazer não seja entregue a tempo", considerou, indicando tratar-se da situação que esteve na origem da proposta das operárias. Enquanto gerente, firmou, durante a administração dos accionistas, contratos com clientes, e continua a fazê-lo, observa, para manter a unidade a laborar.

Cândida Duarte, trabalhadora domiciliada naquele concelho, asseverou "A fábrica tem todas as condições para singrar. Agora, os sócios têm de dizer se querem ou não. Têm de pegar ou largar, porque isto não é vida para ninguém".

Acesso à unidade bloqueado

À entrada do cais da unidade fabril, permanece uma pedra com toneladas de peso. "É a garantia que encontrámos para inviabilizar tentativas de retirada do material", explica a gerente da Afonso, Conceição Pinhão, assinalando que as encomendas "saem pela porta principal". Quanto à matéria-prima, são os clientes que se responsabilizam pela sua colocação na fábrica, enviando, depois, a unidade, as peças (camisas e blusas) para as respectivas firmas, sedeadas, na sua maioria, na Alemanha e nos Estados Unidos. Sobre a proposta para compra da empresa, disse que os accionistas, caso a aceitem, terão de desembolsar 60 mil euros, para pagamento do subsídio de Natal. "De nossa parte, responsabilizamo-nos pelo pagamento de todos os encargos", tanto à Segurança Social (77 mil euros em dívida, que está a ser paga em prestações) como aos fornecedores 40 mil euros).

in JN

Este caso´só vem demonstrar que é possivel viver sem patrões e autogestionar os locais de trabalho. Viva o anarco-sindicalismo e a anarquia mesmo nas suas formas inconscientes.

Dependes de nós

Sem a nossa pastilha elástica, ninguém vai beijar-te. Sem o nosso desodorizante, ninguém vai querer-te tocar. Sem o nosso baton, ninguém vai olhar para ti. Sem os nosso ténis,  não serás capaz de impressionar os "amigos". Sem os nossos cigarros, a sofisticação escapa-te. Sem os nossos produtos de limpeza ninguém vai querer ir a tua casa. Os teus filhos não terão com que se divertir sem os nosso brinquedos e desenhos animados. Ela não gostará do encontro a não ser que a leves a ver um dos nossos filmes. A diversão ainda não começou enquanto não estiveres com a nossa cerveja na tua mão. Como podes te considerar livre e vivo sem o nosso carro desportivo?

Considera todas as tuas atividades de lazer e verás: Tu não te divertes a não ser que pagues por isso.

Nós jogamos com as tuas inseguranças, medos e ansiedades. Há produtos para cada actividade humana porque consideras que as coisas que são naturais e livres não são boas o suficiente sem os nossos suplementos sintéticos. Conseqüentemente  estás tão condicionado que pagarás pelo mais inútil dos produtos, só pelo simples prazer de estares comprando. E se tentares ficar fora do nosso sistema, verás que nós realmente tornámos impossível para qualquer ser humano viver sem os nossos produtos: Tu tens que pagar para comer, para dormir, para te manteres aquecido e até para possuir um espaço para viver.

"Dependes de nós"